Por Digivets

Junho 2, 2026

A atuação do profissional de assuntos regulatórios na indústria veterinária vem deixando de ser percebida apenas como uma etapa de conformidade para assumir papel cada vez mais estratégico nas decisões de negócio. Esse foi um dos pontos centrais abordados pelo médico-veterinário Dr. Byron Silva, na palestra “O profissional regulatório como parceiro estratégico de negócios na indústria veterinária”, que discutiu a evolução do setor diante da expansão dos mercados de saúde e nutrição animal no Brasil.

Palestra destaca como o profissional regulatório deixa de atuar apenas na conformidade e passa a apoiar decisões estratégicas em saúde animal, nutrição, rastreabilidade e sustentabilidade.

A atuação do profissional de assuntos regulatórios na indústria veterinária vem deixando de ser percebida apenas como uma etapa de conformidade para assumir papel cada vez mais estratégico nas decisões de negócio. Esse foi um dos pontos centrais abordados pelo médico-veterinário Dr. Byron Silva, na palestra “O profissional regulatório como parceiro estratégico de negócios na indústria veterinária”, que discutiu a evolução do setor diante da expansão dos mercados de saúde e nutrição animal no Brasil.

Do centro de custo ao acelerador de negócios

Tradicionalmente associado à regularização documental, ao atendimento a exigências legais e à interlocução com órgãos fiscalizadores, o regulatório passa a ocupar uma posição mais integrada às áreas de marketing, comercial, pesquisa e desenvolvimento, qualidade e inteligência de mercado.

Segundo a abordagem apresentada, a mudança central está na passagem de uma postura reativa para uma atuação proativa. Em vez de entrar apenas na etapa final de registro ou lançamento, o profissional regulatório deve participar desde o início da concepção de produtos, avaliando viabilidade técnica, riscos legais, enquadramento adequado e caminhos mais seguros para acelerar a chegada de soluções ao mercado.

Essa atuação antecipada reduz retrabalho, evita atrasos em dossiês, diminui riscos de interdição ou recolhimento e permite que a conformidade seja tratada como diferencial competitivo, não apenas como obrigação operacional.

Mercado em expansão amplia demandas regulatórias

Durante sua apresentação no Workshop AdmVet 2026, o Dr. Byron contextualizou o crescimento do mercado brasileiro de saúde e nutrição animal, incluindo segmentos de produção animal, mercado pet, saúde animal, rações, aditivos e exportações. Esse avanço amplia a complexidade regulatória e exige profissionais capazes de interpretar normas, antecipar tendências e traduzir exigências técnicas em decisões de negócio.

Entre as áreas tradicionais com demanda para o regulatório estão responsabilidade técnica, auditorias, boas práticas de fabricação, farmacovigilância, inspeção de alimentos, suporte a fusões e aquisições, consultoria de exportação e adequação a requisitos do MAPA.

No entanto, novos campos vêm ganhando relevância, especialmente em temas como rastreabilidade, sustentabilidade, certificações ambientais, inteligência regulatória e compliance de cadeias produtivas. Essas frentes se conectam diretamente a exigências internacionais, acesso a mercados premium, verificação de origem de ingredientes, cadeias livres de desmatamento, relatórios ESG e avaliação de risco regulatório.

Rastreabilidade e sustentabilidade entram no radar do setor

Entre os temas emergentes destacados, a rastreabilidade aparece como uma das áreas de maior potencial para os próximos anos. A necessidade de comprovar origem, segurança, conformidade ambiental e responsabilidade na cadeia produtiva aumenta a demanda por profissionais que compreendam tanto os requisitos legais quanto os impactos comerciais dessas exigências.

Na prática, isso significa que o regulatório deixa de atuar apenas sobre produtos finalizados e passa a contribuir para a estratégia de acesso a mercados, diferenciação de marca, posicionamento sustentável e mitigação de riscos reputacionais.

A sustentabilidade também se torna um campo de atuação técnica. A aprovação de ingredientes alternativos, aditivos mitigadores de metano, suplementos nutricionais e soluções voltadas à produção de baixo carbono exige conhecimento regulatório atualizado, capacidade de diálogo com órgãos oficiais e leitura estratégica das tendências globais.

Autocontrole exige nova postura das empresas

Outro ponto abordado foi a transição do setor para modelos de maior autocontrole, em que a indústria assume responsabilidade ampliada pela comprovação de segurança, eficácia, qualidade e rastreabilidade de seus produtos. Nesse cenário, o regulatório precisa atuar como guardião técnico e, ao mesmo tempo, como parceiro das áreas de negócio.

Normas e exigências não devem ser comunicadas internamente apenas como barreiras. O profissional estratégico precisa traduzir riscos regulatórios em impactos concretos para a operação, como atrasos de lançamento, perda de mercado, recolhimento de lotes, danos à marca, multas ou bloqueios comerciais.

Essa mudança de linguagem aproxima o regulatório da diretoria e fortalece sua participação nas decisões corporativas.

Marketing, comercial e P&D: integração como vantagem competitiva

Segundo o Dr. Byron, a atuação integrada com o marketing é  um exemplo prático de geração de valor. Em vez de apenas reprovar alegações proibidas, o regulatório pode orientar alternativas seguras de comunicação, preservando o apelo comercial sem expor a empresa a riscos legais.

No relacionamento com a área comercial, a contribuição está na construção de estratégias que respeitem prazos, liberações e exigências oficiais, mas também considerem metas, faturamento e previsibilidade de entrega. Já com pesquisa e desenvolvimento, a presença do regulatório desde o início permite que ensaios, protocolos e dossiês sejam estruturados conforme as expectativas dos órgãos avaliadores.

Essa integração reduz gargalos e transforma a conformidade em instrumento de velocidade, segurança jurídica e competitividade.

APARSA reforça articulação dos profissionais regulatórios

Durante a palestra, também foi mencionada a criação da APARSA – Associação de Profissionais de Assuntos Regulatórios em Saúde Animal, iniciativa que busca fortalecer a união estratégica entre profissionais do setor.

A criação de uma entidade dedicada ao tema sinaliza a maturidade da área e a necessidade de ampliar o diálogo técnico, a troca de experiências e a representação dos profissionais diante das transformações regulatórias da indústria veterinária.

Em um mercado cada vez mais dinâmico, competitivo e exposto a exigências nacionais e internacionais, a articulação entre especialistas pode contribuir para qualificar discussões, fortalecer boas práticas e consolidar o papel do regulatório como área essencial para inovação, segurança e crescimento sustentável.

O novo perfil do regulatório veterinário

A principal mensagem da palestra é que o profissional regulatório do futuro não será apenas aquele que conhece normas, portarias e processos de registro. Será também aquele capaz de interpretar cenários, antecipar riscos, apoiar decisões estratégicas e conectar ciência, legislação, mercado e reputação corporativa.

Na indústria veterinária, esse movimento acompanha a própria evolução do setor. Com mercados de saúde e nutrição animal em expansão, maior pressão por inovação, novas exigências de rastreabilidade e crescente atenção à sustentabilidade, o regulatório passa a ocupar uma posição central na construção de negócios mais seguros, competitivos e preparados para o futuro.

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