Por Digivets

Junho 5, 2026

A implementação adequada das legislações em alimentação animal depende de uma relação cada vez mais próxima entre o setor regulado, os responsáveis técnicos e o Ministério da Agricultura e Pecuária. Esse foi um dos principais pontos abordados na palestra “Principais alterações nas normas brasileiras da Alimentação Animal e Impacto no Mercado Internacional”, apresentada por Andrea Mendes Maranhão, auditora fiscal federal agropecuária da área de Alimentação Animal do MAPA, durante o Workshop AdmVet 2026.

Autocontrole, documentação técnica e gestão de risco ganham protagonismo na fiscalização da alimentação animal e reforçam o papel estratégico dos responsáveis técnicos na indústria.

A implementação adequada das legislações em alimentação animal depende de uma relação cada vez mais próxima entre o setor regulado, os responsáveis técnicos e o Ministério da Agricultura e Pecuária. Esse foi um dos principais pontos abordados na palestra “Principais alterações nas normas brasileiras da Alimentação Animal e Impacto no Mercado Internacional”, apresentada por Andrea Mendes Maranhão, auditora fiscal federal agropecuária da área de Alimentação Animal do MAPA, durante o Workshop AdmVet 2026.

A apresentação destacou que a evolução regulatória do setor exige mais do que o cumprimento pontual de normas. Em um cenário de produção intensiva, cadeias complexas, exigências internacionais e maior atenção à segurança dos alimentos, as empresas precisam demonstrar domínio sobre seus processos, capacidade de autocontrole e documentação técnica consistente.

Autocontrole passa a orientar a relação entre indústria e fiscalização

Um dos eixos centrais da palestra foi o conceito de autocontrole. A partir da Lei nº 14.515/2022 e do Decreto nº 12.031/2024, a responsabilidade do agente privado ganha maior protagonismo na implantação, execução, monitoramento, verificação e correção de procedimentos relacionados à produção e distribuição de insumos agropecuários.

Na prática, isso significa que a empresa deve ser capaz de comprovar que seus processos são controlados, auditáveis e seguros. O autocontrole envolve registros sistematizados desde a recepção de matérias-primas, ingredientes e insumos até a expedição do produto final, além da previsão de recolhimento de lotes quando forem identificadas não conformidades que possam representar risco à saúde animal ou à segurança do consumidor.

Esse modelo também reforça a necessidade de procedimentos de autocorreção. A empresa não deve apenas identificar falhas, mas demonstrar que possui mecanismos internos para corrigi-las, prevenir recorrências e reduzir riscos.

MAPA avalia risco conforme atividade e histórico da empresa

A Dra. Andrea também apresentou como o MAPA enxerga o risco sanitário dos estabelecimentos de alimentação animal. A fiscalização considera fatores relacionados à atividade exercida, ao tipo de produto fabricado, ao uso de medicamentos, à espécie de destino, aos processos produtivos e aos achados identificados em vistorias.

Esse olhar baseado em risco permite direcionar ações fiscais de forma mais estratégica. Empresas com maior complexidade produtiva, histórico de não conformidades, falhas em boas práticas ou atividades sensíveis podem demandar maior atenção. Por outro lado, estabelecimentos com autocontrole robusto, registros auditáveis e boa capacidade de resposta tendem a demonstrar maior maturidade regulatória.

Entre os tipos de fiscalização possíveis estão fiscalizações com base em risco, uso de medicamentos, produção livre de ractopamina, linhas compartilhadas, habilitação para exportação, coleta de amostras, autoelaboradores, vistorias iniciais, alterações de estabelecimento, denúncias e apuração de atividades clandestinas.

Responsáveis técnicos têm papel decisivo na implementação das normas

A aproximação entre as rotinas dos responsáveis técnicos e o MAPA como é  fundamental para a boa implementação das legislações. O RT atua como elo técnico entre a empresa, os processos produtivos e as exigências oficiais, contribuindo para que o autocontrole seja aplicado de forma efetiva e não apenas documental.

Nesse contexto, o responsável técnico precisa compreender a legislação vigente, acompanhar os processos da empresa, identificar riscos, orientar ajustes e garantir que registros e evidências estejam disponíveis para demonstrar conformidade. A atuação do RT é especialmente relevante em áreas como boas práticas de fabricação, qualificação de fornecedores, controle de matérias-primas, uso de medicamentos em alimentação animal, rastreabilidade, rotulagem e atendimento a requisitos de exportação.

A palestra reforçou que assumir responsabilidade significa responder tecnicamente pelos processos e também contribuir para que eventuais falhas sejam prevenidas, comunicadas e corrigidas de forma adequada.

Documentação técnica adequada reduz riscos e facilita a análise oficial

Outro ponto importante é a atenção à correta submissão de documentos ao MAPA, especialmente em processos que envolvem registro de estabelecimentos, cadastro ou registro de produtos, rotulagem, novas matérias-primas, habilitações e demandas relacionadas à exportação.

Documentos incompletos, inconsistentes ou mal estruturados podem atrasar análises, gerar exigências adicionais e comprometer o planejamento das empresas. Por isso, a preparação de dossiês e demais materiais técnicos devem ser tratadas como etapa estratégica, com atenção ao enquadramento correto, à clareza das informações, à rastreabilidade dos dados e à aderência aos requisitos oficiais.

Para a indústria, a qualidade documental não é apenas uma obrigação administrativa. Ela demonstra maturidade regulatória, reduz retrabalho e contribui para uma relação mais eficiente com os órgãos oficiais.

Materiais oficiais estão disponíveis para consulta da indústria

A Dra. Andrea também sinalizou que diversos documentos de apoio estão disponíveis para consulta em canais oficiais, especialmente por meio da área de alimentação animal do MAPA e da WikiSDA (Portal de manuais de processos da Secretaria de Defesa Agropecuária). Entre os materiais citados estão manuais de fiscalização, autocontrole, coleta de amostras, uso de medicamentos, caracterização de risco, registro de estabelecimento, procedimentos administrativos e preenchimento de termos de fiscalização.

A disponibilização desses conteúdos contribui para maior transparência, padronização e previsibilidade na relação entre fiscalização e setor regulado. Para responsáveis técnicos, equipes regulatórias e gestores da indústria, esses materiais funcionam como ferramentas de apoio para interpretar exigências, organizar documentos e estruturar processos internos.

Segurança da alimentação animal impacta o mercado nacional e internacional

Durante sua apresentação no Workshop AdmVet 2026, a Dra Andrea Maranhão também conectou as normas brasileiras de alimentação animal ao mercado internacional. A segurança dos ingredientes, rações, suplementos e produtos destinados a diferentes espécies tem impacto direto sobre cadeias produtivas, exportações e confiança sanitária.

Casos envolvendo contaminantes, micotoxinas, resíduos, uso indevido de matérias-primas, falhas de rotulagem ou não conformidades em boas práticas demonstram que a alimentação animal pode representar ponto crítico para a saúde animal, a segurança dos alimentos e a reputação da cadeia produtiva.

Por isso, o foco do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) na área de alimentação animal está diretamente relacionado à prevenção de contaminantes, ao fortalecimento dos programas de autocontrole e à capacidade das empresas de demonstrar conformidade em diferentes etapas da produção.

Agenda regulatória indica continuidade das atualizações

Durante a apresentação foram apresentadas ainda a agenda regulatória da alimentação animal, com normas em revisão ou desenvolvimento, incluindo classificação de aditivos, registro de estabelecimentos, classificação e registro de produtos, rotulagem, revisão de instruções normativas, regulamentação de programas de conformidade, certificação por terceira parte, caracterização de risco e micotoxinas.

Esse cenário mostra que a área regulatória continuará em transformação nos próximos anos. Para a indústria, acompanhar essas mudanças será essencial para manter conformidade, planejar lançamentos, reduzir riscos de fiscalização e atender exigências de mercados nacionais e internacionais.

Conformidade depende de diálogo, evidência e responsabilidade compartilhada

A principal mensagem apresentada foi que a aplicação das normas em alimentação animal exige responsabilidade compartilhada entre setor público e setor privado. Ao MAPA cabe orientar, fiscalizar, avaliar o cumprimento da legislação, verificar programas de autocontrole e adotar medidas cabíveis. À indústria cabe conhecer seus processos, manter registros auditáveis, implementar controles, corrigir desvios e demonstrar conformidade.

Nesse cenário, responsáveis técnicos e equipes regulatórias ocupam papel estratégico. São eles que conectam a rotina da empresa às exigências oficiais, transformando legislação em prática operacional, documentação em evidência e autocontrole em ferramenta real de segurança.

Mais do que responder a fiscalizações, a indústria precisa estar preparada para demonstrar, de forma contínua, que controla seus riscos. Essa postura fortalece a segurança da alimentação animal, protege a saúde animal e humana, qualifica o setor e sustenta a competitividade brasileira em mercados cada vez mais exigentes.

Para ficar por dentro de todas as novidades do mundo veterinário leia nossos outros artigos em:
Digivets

Quer uma curadoria de conteúdo no seu email?
Assine nossa News no LinkedIn Newsletter Digivets

Compartilhar Post

Artigos relacionados

Alimentação animal: MAPA reforça autocontrole, gestão de risco e qualidade documental na relação com a indústria