Em entrevista, Fabio Feitosa comenta os avanços da medicina veterinária preventiva, a expansão do diagnóstico point of care e as tendências que devem moldar o futuro do setor.
A Zoetis lançou no Brasil o posicionamento “Look Deeper: A resposta que pode mudar uma vida”, iniciativa que reforça a importância dos diagnósticos na medicina veterinária moderna. O conceito destaca como o acesso a informações precisas e no momento adequado pode apoiar decisões clínicas mais assertivas e contribuir para melhores desfechos na saúde dos animais.
A proposta acompanha a evolução dos cuidados com os pets, marcada pelo aumento da longevidade e pela busca por abordagens cada vez mais preventivas e individualizadas. Nesse cenário, os diagnósticos assumem um papel estratégico ao fornecer evidências que auxiliam na identificação precoce de riscos, no monitoramento da saúde e na definição de condutas clínicas.
Segundo a empresa, o conceito Look Deeper reflete a visão de que os diagnósticos vão além da confirmação de suspeitas, ajudando médicos-veterinários a compreender de forma mais ampla a saúde dos pacientes e a tomar decisões ao longo de toda a jornada de cuidado.
A iniciativa também reforça o compromisso da Zoetis com a inovação em diagnóstico veterinário, por meio de soluções que permitem a realização de exames diretamente na clínica, com resultados rápidos e suporte à tomada de decisão durante o atendimento.
Entrevista | Fabio Feitosa: “O diagnóstico deixou de ser apenas uma confirmação e passou a orientar toda a jornada de cuidado”

1. O que motivou a Zoetis a lançar o conceito “Look Deeper” neste momento? O que mudou no mercado veterinário brasileiro para que o diagnóstico passasse a ocupar um papel tão central na jornada de cuidado dos pets?
O lançamento do conceito Look Deeper reflete uma evolução importante da medicina veterinária e da forma como os pets são cuidados hoje. Os animais de companhia vivem mais, são cada vez mais tratados como membros da família e recebem uma atenção mais individualizada ao longo de toda a vida. Com isso, cresce também a necessidade de uma medicina mais preventiva, precisa e baseada em evidências.
Nesse contexto, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa para confirmar uma suspeita clínica e passa a ocupar um papel estratégico na jornada de cuidado. Ele permite identificar riscos, acompanhar condições de saúde, orientar tratamentos e apoiar decisões clínicas em diferentes momentos da vida do pet. O mercado veterinário brasileiro vem amadurecendo nessa direção, com clínicas mais estruturadas, tutores mais atentos à saúde preventiva e médicos-veterinários buscando ferramentas que ofereçam respostas rápidas, confiáveis e úteis para a tomada de decisão durante o atendimento.
O Look Deeper nasce justamente desse cenário: é um convite para olhar além dos sinais visíveis e valorizar a informação diagnóstica como parte essencial de um cuidado mais completo.
2. Na prática, quais são os principais riscos de uma abordagem clínica baseada apenas na avaliação física e nos sinais visíveis apresentados pelo animal? Existem situações em que exames complementares poderiam antecipar problemas antes do aparecimento dos sintomas?
A avaliação clínica é uma etapa fundamental da consulta veterinária, mas nem sempre permite visualizar tudo o que está acontecendo com a saúde do animal. Muitas condições podem estar em estágio inicial ou evoluir de forma silenciosa, sem manifestações clínicas evidentes nos primeiros momentos.
Quando a tomada de decisão se baseia exclusivamente nos sinais visíveis, existe o risco de não identificar determinadas alterações que poderiam ser percebidas por meio de exames complementares. Os testes de diagnóstico ajudam a ampliar a quantidade de informações disponíveis para o médico-veterinário, oferecendo evidências adicionais para avaliar a condição do paciente e definir a melhor conduta.
Existem diversas situações em que exames laboratoriais de rotina podem contribuir para identificar alterações antes do aparecimento de sinais clínicos evidentes. Isso pode ocorrer, por exemplo, durante check-ups, avaliações pré-operatórias ou acompanhamentos de animais idosos e pacientes com condições crônicas. Nesses contextos, o acesso a informações diagnósticas permite monitorar a saúde do animal de forma mais próxima e apoiar decisões clínicas mais precoces e embasadas.
A proposta do Look Deeper é justamente reconhecer que informações diagnósticas obtidas no momento certo podem ampliar a compreensão sobre a saúde do paciente e apoiar um cuidado mais preventivo, personalizado e baseado em evidências. E é, exatamente essa a resposta que pode mudar uma vida.
3. O conceito “Look Deeper” fala em encontrar respostas que podem mudar uma vida. Você poderia compartilhar exemplos de casos clínicos em que um diagnóstico precoce alterou significativamente o prognóstico de um paciente?
Existem diversas situações na rotina veterinária em que exames diagnósticos contribuem para identificar alterações antes que elas se manifestem de forma evidente. Um exemplo bastante comum envolve pacientes idosos aparentemente saudáveis que realizam check-ups de rotina. Alterações em parâmetros hematológicos ou bioquímicos podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada e permitir que o médico-veterinário acompanhe a evolução do caso de forma mais próxima.
Outro cenário frequente é o de pacientes que apresentam sinais clínicos inespecíficos, como apatia, redução do apetite ou perda de peso. Nessas situações, os exames complementares ajudam a fornecer informações adicionais que contribuem para o raciocínio clínico e para a definição dos próximos passos de avaliação e cuidado.
Esses exemplos mostram como o acesso a informações diagnósticas pode contribuir para uma compreensão mais ampla do quadro clínico e apoiar a tomada de decisão ao longo da jornada de cuidado.
4. Como você avalia a evolução da medicina veterinária brasileira em direção a uma prática mais preventiva e baseada em evidências? Os tutores estão mais receptivos à realização de exames de rotina do que há alguns anos?
A medicina veterinária brasileira tem avançado de forma consistente em direção a uma prática mais preventiva, integrada e baseada em evidências. Hoje, há uma compreensão cada vez maior de que cuidar da saúde do pet não significa apenas agir quando ele adoece, mas realizar protocolos preventivos, acompanhar condições crônicas ao longo da vida, identificar riscos e tomar decisões com base em informações clínicas concretas.
Os responsáveis também vêm mudando. De modo geral, estão mais informados, mais próximos da rotina de cuidado dos animais e mais abertos a entender o valor dos exames de rotina. Ainda existe um trabalho importante de educação e conscientização, mas observamos uma receptividade crescente quando o médico-veterinário explica de forma clara como o diagnóstico pode contribuir para prevenção, qualidade de vida e tomada de decisão.
Essa evolução fortalece o papel do médico-veterinário como parceiro estratégico do responsável e reforça a importância de ferramentas que ofereçam informações confiáveis para uma medicina mais personalizada.
5. O diagnóstico point of care vem ganhando espaço nas clínicas veterinárias. Quais são os principais benefícios dessa abordagem para o médico-veterinário, para a equipe clínica e para os tutores?
O diagnóstico point of care traz o exame para mais perto do momento da decisão clínica. Isso significa que o médico-veterinário pode contar com informações relevantes durante a própria consulta, sem depender exclusivamente de fluxos externos ou de longos intervalos para receber resultados.
Para o médico-veterinário, os principais benefícios são a agilidade e a segurança, pois ele consegue avaliar dados laboratoriais em tempo real, tomar decisões mais embasadas e conduzir o caso com mais precisão. Para a equipe clínica, a tecnologia contribui para organizar melhor o atendimento, otimizar fluxos e tornar a jornada do paciente mais eficiente. Para os tutores, o acesso mais rápido às informações também favorece uma melhor compreensão da avaliação realizada pelo médico-veterinário e dos próximos passos do atendimento, bem como mais confiança no cuidado que está sendo direcionado ao seu pet.
Além disso, o point of care é especialmente relevante em situações que demandam mais agilidade, como atendimentos de urgência, avaliações pré-operatórias e monitoramento de pacientes crônicos, em que o tempo e a confiabilidade da informação fazem a diferença.
6. Quais são hoje as principais barreiras para uma adoção mais ampla das ferramentas diagnósticas na rotina das clínicas veterinárias brasileiras? Estamos falando de investimento, cultura profissional, conscientização dos tutores ou de uma combinação desses fatores?
O investimento em tecnologia é uma variável importante, especialmente para clínicas que ainda estão estruturando seus serviços diagnósticos. Mas a adoção mais ampla também passa por cultura profissional, capacitação da equipe e conscientização dos tutores.
Do ponto de vista da clínica, é necessário incorporar o diagnóstico como parte natural da rotina de cuidado, não apenas como uma etapa eventual. Isso envolve treinamento, confiança na interpretação dos resultados e integração dos exames ao fluxo clínico. Do ponto de vista dos tutores, ainda há espaço para reforçar a importância dos exames preventivos e explicar que eles não representam apenas um custo adicional, mas uma ferramenta para proteger a saúde do pet e apoiar decisões mais seguras.
A adoção dessas ferramentas tende a avançar à medida que os diagnósticos se tornam uma parte cada vez mais presente da rotina clínica, acompanhando a evolução da medicina veterinária para uma abordagem mais preventiva e baseada em evidências.
7. De que forma tecnologias como os analisadores VetScan® estão contribuindo para acelerar a tomada de decisão clínica e melhorar a experiência do paciente durante a consulta?
Soluções como os analisadores VetScan® VS2 e VetScan® HM5 permitem que exames bioquímicos e hematológicos sejam realizados diretamente na clínica veterinária, com resultados rápidos e confiáveis, entre 4 e 15 minutos, dependendo da solução utilizada.
Na prática, isso contribui para acelerar a tomada de decisão clínica porque o veterinário tem acesso a informações importantes enquanto o paciente ainda está em atendimento. Ele pode confirmar suspeitas, avaliar a gravidade de um quadro, orientar o tratamento, definir a necessidade de encaminhamento a um especialista ou ajustar a conduta com base em dados objetivos.
Ao disponibilizar essas informações durante a própria consulta, os analisadores também favorecem uma condução mais integrada do caso clínico, permitindo que a avaliação do paciente e as decisões relacionadas ao seu cuidado ocorram de forma mais conectada ao contexto do atendimento.
Complementarmente temos o FUSE em nosso portifólio, que integra todos os exames do paciente de diferentes equipamentos e períodos de forma organizada e em ordem cronológica. Isso permite visualizar de forma simples a jornada clínica do paciente assim como ocorre conosco quando realizamos nossos exames de rotina.
8. Olhando para os próximos cinco anos, quais tendências devem transformar o mercado de diagnóstico veterinário? Podemos esperar avanços em áreas como inteligência artificial, medicina preditiva, monitoramento contínuo ou integração de dados clínicos?
O mercado de diagnóstico veterinário deve evoluir de forma significativa nos próximos anos, impulsionado pelo avanço da digitalização, pela ampliação do acesso a dados clínicos e pela busca por uma medicina cada vez mais personalizada.
A medicina preditiva é uma das tendências mais relevantes. À medida que mais informações são geradas ao longo da vida dos animais, cresce a capacidade de identificar fatores de risco, acompanhar mudanças no estado de saúde e apoiar intervenções mais precoces.
Também devemos observar uma integração cada vez maior entre diferentes fontes de informação clínica. Resultados laboratoriais, histórico do paciente e outros dados de acompanhamento tendem a ser analisados de forma mais conectada, oferecendo ao médico-veterinário uma visão mais ampla da saúde animal.
Nesse contexto, a adoção de ferramentas digitais, a integração de dados clínicos e o uso de inteligência artificial já estão transformando a interpretação de informações, tornando as decisões mais rápidas, assertivas e padronizadas. O monitoramento contínuo tende a ganhar relevância, sobretudo no acompanhamento de pacientes crônicos, idosos ou que exigem reavaliações frequentes.
A Zoetis acompanha essa evolução e está investindo no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e tecnologias digitais voltadas ao apoio ao diagnóstico veterinário. A expectativa é que elas ampliem a capacidade de integrar e interpretar dados clínicos de forma mais ágil e precisa, apoiando o médico-veterinário na tomada de decisão e contribuindo para diagnósticos cada vez mais rápidos, consistentes e personalizados. Essa evolução deve se intensificar nos próximos anos, acompanhando a crescente digitalização da medicina veterinária.
Na visão da companhia, essas transformações apontam para uma medicina veterinária cada vez mais conectada, em que o diagnóstico deixa de ser um evento isolado e passa a acompanhar toda a jornada de saúde do animal. O acesso a informações mais completas ao longo do tempo amplia a capacidade de compreender cada paciente de forma individualizada e apoiar decisões clínicas em diferentes momentos do cuidado.





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