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Janeiro 28, 2026

Corrida por especialização impulsiona ganhos dos veterinários no Brasil

Por Gabriela Mura*

A medicina veterinária vive uma grande transformação no Brasil. A expansão da população de animais de companhia e a mudança no perfil dos tutores, cada vez mais atentos e exigentes, têm alterado a forma como os serviços são prestados e como os profissionais estruturam sua carreira. Clínicas que antes trabalhavam com procedimentos mais básicos hoje incorporam diagnósticos por imagem, terapias avançadas e especialidades que exigem conhecimento técnico aprofundado. Esse movimento amplia as oportunidades, mas também eleva as responsabilidades da prática veterinária.

O que mais se destaca nesse cenário é a velocidade da especialização. O Radar Vet 2025 mostra que 66% dos médicos-veterinários já concluíram ou estão cursando pós-graduação. A formação adicional deixou de ser uma opção e passou a ser parte da trajetória natural de muitos profissionais. Isso ocorre porque o mercado demanda mais preparo, mais precisão e mais capacidade de lidar com casos complexos, e essa expectativa vem diretamente dos tutores, que pesquisam, comparam e chegam às clínicas buscando atendimento qualificado.

Outra mudança importante é a renovação geracional. Veterinários com até 29 anos representam 43% dos profissionais que realizam cirurgias especializadas, 43% dos que conduzem exames diagnósticos e 46% dos que atuam em internação. Isso mostra que os profissionais mais jovens não esperam acumular anos de experiência para se especializar; eles entram no mercado sabendo que aprofundar a formação é parte indissociável da carreira.

Esse cenário também se reflete na remuneração. Os veterinários autônomos registram renda média próxima a 4 salários mínimos. Entre os que atuam com vínculo empregatício, a média chega a 5 salários mínimos. Proprietários de clínicas e hospitais veterinários, que acumulam gestão e atendimento, alcançam cerca de 6 salários mínimos. Embora a especialidade escolhida influencie esses valores, ela não é o único determinante. Organização da rotina, clareza na comunicação com tutores e capacidade de gerir a operação têm impacto direto na percepção de valor e na evolução financeira.

As redes sociais, hoje presentes na rotina de veterinários de todas as regiões, ampliaram o alcance do trabalho e se tornaram ferramenta de relacionamento com os tutores. O desafio está em equilibrar a visibilidade com responsabilidade, garantindo que informações técnicas sejam transmitidas de forma clara, correta e compatível com a conduta profissional esperada.

O que os dados e a prática mostram é um setor que cresce, mas que também se sofisticou. O aumento da demanda significa mais atendimentos, mas também mais exigência por diagnósticos precisos, manejo adequado e comunicação transparente. A especialização atende a esse movimento, mas precisa caminhar ao lado de competências complementares que se tornaram essenciais para o exercício da profissão.

Tudo indica que a medicina veterinária caminha para um modelo em que técnica, gestão e comunicação formam os pilares do desenvolvimento profissional. A formação contínua fortalece a carreira individual, melhora a entrega ao tutor e contribui para um setor mais preparado para acompanhar a evolução da saúde animal no país.

Corrida por especialização impulsiona ganhos dos veterinários no Brasil

Gabriela Mura, diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan

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