Lançamento das vacinas Purevax® RCP e Purevax® RCPCh reforça a vacinação felina baseada em risco, estilo de vida e avaliação clínica individualizada
A Boehringer Ingelheim apresentou, em coletiva de imprensa digital acompanhada pela DigiVets, a expansão da linha Purevax® no Brasil, com o lançamento das vacinas Purevax® RCP e Purevax® RCPCh. A novidade amplia o portfólio vacinal felino da companhia e reposiciona a discussão sobre prevenção em gatos a partir de um ponto central: a escolha da vacina deve partir da avaliação clínica, do estilo de vida e do risco individual do paciente, e não apenas da ideia de utilizar sempre a formulação mais ampla disponível.
A abertura da coletiva situou o lançamento dentro de um movimento mais amplo de transformação da saúde felina no país. A companhia destacou que o Brasil possui a terceira maior população de gatos do mundo e que, desde a pandemia, a adoção de felinos cresceu mais de 6%, quase o dobro do crescimento observado na população canina. Esse cenário, associado à mudança no vínculo entre tutores e gatos, tem impulsionado uma demanda crescente por soluções preventivas mais específicas, seguras e alinhadas à rotina real desses animais.
Dentro desse contexto, a linha Purevax® foi apresentada como peça central do portfólio felino da Boehringer Ingelheim. A empresa reforçou que a ampliação da família Purevax® busca oferecer mais possibilidades de prevenção, respeitando o perfil e o estilo de vida de cada gato. A lógica do lançamento, portanto, não se limita à chegada de novas vacinas ao mercado, mas à consolidação de um modelo em que o médico-veterinário passa a ter mais ferramentas para ajustar o protocolo vacinal ao risco clínico, ambiental e epidemiológico de cada paciente.

Novas opções de vacinação felina ampliam a proteção para gatos e reforçam protocolos individualizados
As novas vacinas lançadas são a Purevax® RCP e a Purevax® RCPCh. A Purevax® RCP é uma vacina tríplice, indicada para proteção contra rinotraqueíte viral felina, calicivirose e panleucopenia felina. Já a Purevax® RCPCh é uma vacina quádrupla, que mantém a cobertura contra esses três agentes e acrescenta a proteção contra clamidiose, causada pela bactéria Chlamydophila felis.

Com essas duas apresentações, a Boehringer Ingelheim complementa uma linha que já contava com Purevax® FeLV e Purevax® RCPCh FeLV, voltadas à proteção contra a leucemia viral felina (FeLV) em protocolos nos quais essa cobertura é clinicamente indicada. Na prática, o portfólio passa a oferecer combinações que permitem ao profissional modular a imunização de acordo com o risco de exposição do animal, a composição do domicílio, o histórico vacinal, a idade, o ambiente de circulação e a possibilidade de contato com outros gatos.

Esse ponto é particularmente relevante porque, em medicina felina, a avaliação do risco raramente é binária. Um gato que vive em apartamento pode estar em um domicílio com um único animal, mas também pode conviver com vários gatos, receber novos animais ao longo do tempo ou mudar para uma casa com acesso externo. Da mesma forma, gatos provenientes de abrigos, lares temporários, colônias, ambientes multicat ou residências com circulação de animais apresentam perfis epidemiológicos diferentes. A vacina mais adequada, portanto, não é necessariamente a “mais completa” em termos de número de antígenos, mas aquela que responde com maior precisão ao risco real daquele paciente naquele momento.
O diferencial técnico: volume reduzido, ausência de adjuvantes e certificação internacional
Entre os diferenciais destacados durante a apresentação, a linha Purevax® foi posicionada como a única linha de vacinas felinas no mercado brasileiro com volume de 0,5 mL e isenta de adjuvantes. A redução do volume de aplicação foi apresentada como um avanço importante para a rotina clínica, especialmente em uma espécie na qual o manejo, a contenção e a experiência no consultório influenciam diretamente a adesão do tutor e o bem-estar do paciente.
A discussão sobre o volume de 0,5 mL foi conduzida de forma prática: vacinar gatos nem sempre é simples, sobretudo quando o paciente é mais reativo, quando a equipe não atua exclusivamente com felinos ou quando o tutor já chega à consulta receoso de causar estresse ao animal. Nesse cenário, uma aplicação mais rápida e com menor volume pode reduzir a percepção de desconforto, facilitar o procedimento e contribuir para uma experiência mais cat-friendly.

A ausência de adjuvantes também recebeu destaque técnico. Durante a coletiva, foi pontuado que retirar adjuvantes não significa eliminar completamente a possibilidade de reações vacinais, já que a resposta é individual e depende de cada paciente. Ainda assim, a formulação sem adjuvantes foi apresentada como um recurso importante para reduzir riscos e tornar o protocolo mais seguro, especialmente em um campo no qual a tolerabilidade e a experiência pós-vacinal têm grande peso na percepção do tutor.
Outro diferencial enfatizado foi o selo Easy to Give ISFM Approved, concedido pela International Society of Feline Medicine (ISFM), ligada à International Cat Care. A certificação avalia critérios como facilidade de administração, eficácia e impacto na experiência do gato durante o uso do produto. Na leitura apresentada durante o evento, o selo não funciona apenas como um elemento comercial, mas como uma validação externa da proposta de usabilidade da linha: uma vacina pensada para ser aplicada com menor estresse, maior praticidade e melhor adaptação às particularidades comportamentais dos felinos.
Tecnologia recombinante, calicivírus bivalente e cobertura contra doenças relevantes
A apresentação também explorou os componentes tecnológicos da linha. A tecnologia recombinante associada à proteção contra a leucemia viral felina (FeLV) foi apontada como um dos pilares que permitem manter a formulação sem adjuvantes, ao mesmo tempo em que oferece proteção robusta contra uma doença de grande relevância clínica no Brasil. A FeLV permanece como uma das principais preocupações da medicina felina, especialmente em ambientes com maior circulação de gatos, introdução frequente de novos animais ou histórico desconhecido de testagem e vacinação.
Outro ponto técnico importante foi a presença de tecnologia bivalente para calicivírus felino. A calicivirose é um desafio recorrente justamente pela variabilidade viral, com manifestações clínicas que podem envolver sinais respiratórios, lesões orais, febre, prostração e, em determinadas situações, maior gravidade clínica. A inclusão de uma abordagem bivalente foi apresentada como estratégia para ampliar a abrangência frente a variantes do agente, reforçando a importância de uma cobertura adaptada à complexidade dos patógenos respiratórios felinos.

As vacinas Purevax® RCP e Purevax® RCPCh também mantêm foco em doenças centrais da prevenção felina. A rinotraqueíte viral felina, associada ao herpesvírus felino, é uma das principais causas de doença respiratória em gatos, com possibilidade de latência e recorrência clínica. A calicivirose, por sua vez, apresenta grande diversidade antigênica e impacto relevante em populações felinas. A panleucopenia felina permanece como enfermidade grave, altamente contagiosa e potencialmente fatal, especialmente em filhotes e animais não vacinados. Já a clamidiose, incorporada na apresentação RCPCh, tem importância particular em quadros oculares e respiratórios, sobretudo em ambientes com maior densidade de gatos.
Durante a coletiva, foi reforçado que a proteção contra rinotraqueíte, calicivirose e panleucopenia pode chegar a três anos após a primovacinação e o reforço de um ano, reforçando a importância de diferenciar protocolo inicial, reforço e manutenção vacinal ao longo da vida do paciente.
Personalização vacinal: o protocolo deve nascer da avaliação clínica
O ponto mais importante do lançamento foi a defesa de uma vacinação individualizada. A própria apresentação institucional insistiu na ideia de que o estilo de vida dos gatos varia de forma expressiva e pode mudar ao longo do tempo. Um gato pode ser estritamente domiciliado em um ano e, no ano seguinte, passar a conviver com outros felinos, mudar de residência ou ganhar acesso à rua. Por isso, o protocolo vacinal não deve ser tratado como uma decisão fixa, tomada uma vez e repetida automaticamente, mas como parte da avaliação clínica periódica.
Essa lógica é especialmente importante para clínicas veterinárias, onde a escolha da vacina precisa ser sustentada por anamnese, exame clínico, avaliação do ambiente e conversa qualificada com o tutor. A existência de um portfólio mais amplo não deve induzir à aplicação indiscriminada da formulação mais completa. Ao contrário: quanto maior o número de opções, maior a responsabilidade técnica do médico-veterinário em indicar a proteção proporcional ao risco.

Na prática, isso significa perguntar quantos gatos vivem no domicílio, se há acesso à rua, se o animal frequenta banho e tosa, hotel, gatil, abrigo ou ambiente de adoção, se novos gatos foram introduzidos recentemente, se há histórico de doença respiratória no grupo, se houve testagem para FeLV e vírus da imunodeficiência felina (FIV), qual foi o calendário vacinal anterior e qual é a previsibilidade de retorno anual. É a partir desse conjunto de informações que a decisão deixa de ser genérica e se torna clínica.
Essa abordagem também evita dois extremos frequentes: subproteger animais expostos a risco real ou indicar coberturas adicionais sem necessidade clínica naquele momento. Em ambos os casos, o problema não está na vacina, mas na ausência de estratificação do paciente. A personalização, portanto, não deve ser entendida como flexibilização sem critério, mas como raciocínio preventivo estruturado.
A fala do professor Archivaldo Reche Junior e a maturidade da medicina felina
O painel contou com a participação do professor Archivaldo Reche Junior, médico-veterinário graduado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), mestre e doutor em Clínica Veterinária pela mesma instituição e atualmente professor associado do Departamento de Clínica Médica da FMVZ-USP. Reconhecido como uma das principais referências brasileiras em medicina felina, Archivaldo trouxe ao debate uma perspectiva histórica importante: a consolidação da clínica de gatos como área própria, com demandas, protocolos e sensibilidades diferentes da clínica canina.
Sua fala ajudou a deslocar o lançamento de uma leitura apenas mercadológica para uma leitura de maturidade da medicina felina no Brasil. Ao recuperar a trajetória da especialidade, o professor lembrou que, décadas atrás, praticamente não se falava em atuação exclusiva com gatos. Hoje, a espécie ocupa um espaço clínico próprio, impulsionado tanto pelo aumento populacional quanto pela mudança no lugar afetivo do gato dentro das famílias.

Um dos trechos mais fortes da participação de Archivaldo foi a afirmação de que o gato deixou de ser visto como um animal funcional, associado ao controle de pragas, para ocupar o lugar de membro da família. Essa mudança altera a responsabilidade do médico-veterinário: cuidar do gato não é apenas tratar doenças quando elas aparecem, mas atuar na prevenção, no bem-estar, no manejo do estresse e na educação contínua do tutor.
Essa visão dialoga diretamente com o conceito de Saúde Única apresentado na abertura da coletiva. O bem-estar físico do gato repercute na relação familiar e no bem-estar emocional do tutor. Quando a prevenção falha, o impacto não é apenas biológico; envolve sofrimento do animal, ansiedade do responsável, custos terapêuticos e perda de oportunidades de intervenção precoce.
Educação do tutor: vacinação felina vai além da antirrábica
A educação do tutor apareceu como um eixo essencial da discussão. Ainda há responsáveis que associam a vacinação de gatos apenas à vacina antirrábica, muitas vezes por ser a vacina mais conhecida em campanhas públicas. No entanto, como foi reforçado durante a coletiva, a vacina contra raiva responde a uma necessidade sanitária e legal específica, por se tratar de uma zoonose. Ela é obrigatória no Brasil, mas não resume a prevenção felina.
O médico-veterinário tem papel decisivo em explicar que doenças como rinotraqueíte, calicivirose, panleucopenia, clamidiose e leucemia viral felina também fazem parte da realidade clínica dos gatos e podem exigir proteção vacinal conforme o risco do paciente. Essa orientação precisa ser repetida nas consultas, porque muitos tutores desconhecem a existência dessas vacinas ou acreditam que gatos domiciliados não precisam de acompanhamento preventivo regular.
Também é necessário enfrentar outro obstáculo recorrente: o medo de estressar o gato. A preocupação do tutor é legítima, mas não deve levar à negligência preventiva. O caminho não é deixar de vacinar, e sim organizar uma experiência mais adequada para a espécie, com manejo gentil, contenção mínima, ambiente menos aversivo, equipe treinada e produtos que favoreçam uma aplicação mais rápida e confortável. Nesse ponto, atributos como volume reduzido, formulação sem adjuvantes e certificação Easy to Give ISFM Approved ajudam a conectar tecnologia vacinal com prática clínica real.
A consulta vacinal, portanto, deve ser tratada como momento de educação. O tutor precisa entender por que determinada vacina foi indicada, por que outra não foi necessária naquele momento, quando será feita a próxima reavaliação e quais mudanças de rotina podem alterar o protocolo. Essa conversa fortalece a adesão, reduz resistência e posiciona a clínica como espaço de tomada de decisão individualizada, não apenas de aplicação de vacinas
Perguntas da coletiva reforçaram a importância da escolha técnica
Durante a rodada de perguntas, a DigiVets questionou o racional técnico para a presença do componente Chlamydophila felis na formulação RCPCh, considerando que a prevalência clínica pode variar conforme a população felina e o contexto epidemiológico. A pergunta partiu justamente do ponto central do lançamento: compreender quando a escolha por uma vacina quádrupla faz sentido na prática, em vez de assumir que a cobertura mais ampla deve ser aplicada de forma automática.
A discussão reforçou que a clamidiose deve ser considerada dentro da avaliação do perfil do paciente e do ambiente em que ele vive. Em populações com maior densidade de gatos, histórico de doença ocular ou respiratória, circulação de animais, adoções frequentes ou convivência em grupos, a inclusão desse componente pode ganhar maior relevância clínica. Em contrapartida, em um paciente com baixa exposição e sem fatores de risco adicionais, a decisão pode ser diferente. Essa é precisamente a lógica da personalização: a vacina é escolhida a partir do risco, não por uma hierarquia simplista entre “básica” e “mais completa”.
Outro ponto abordado na coletiva foi a necessidade de retorno anual, mesmo quando determinadas proteções possam ter duração maior. A consulta anual não deve ser entendida apenas como momento de revacinar, mas como oportunidade de revisar estilo de vida, atualizar histórico, avaliar riscos e orientar o tutor sobre o próximo passo do protocolo.
Conexão com a rotina das clínicas veterinárias
Para a prática clínica, a expansão da linha Purevax® traz uma mensagem objetiva: o protocolo vacinal felino precisa ser construído com o mesmo rigor aplicado a qualquer outra decisão médica. Isso exige escuta qualificada, anamnese dirigida, registro adequado e comunicação clara com o tutor.
Em clínicas generalistas, esse ponto é ainda mais importante. Muitos gatos chegam para consultas pontuais, sem histórico preventivo organizado, com vacinação incompleta ou com tutores que não sabem diferenciar vacinas antirrábica, múltipla, FeLV ou reforços. A consulta se torna, então, uma oportunidade de reorganizar a prevenção. O médico-veterinário deve identificar lacunas, explicar riscos e propor um calendário possível, respeitando tanto a condição clínica do animal quanto a realidade do tutor.
A chegada de Purevax® RCP e Purevax® RCPCh amplia essa capacidade de escolha. Em vez de um protocolo único para todos os gatos, a clínica passa a contar com alternativas para diferentes perfis: gatos domiciliados com baixo risco, gatos em ambientes multicat, animais com circulação externa, pacientes que exigem cobertura contra FeLV e situações nas quais a inclusão de clamidiose se mostra pertinente.
Essa abordagem também melhora a qualidade da comunicação. Quando o tutor percebe que a vacina foi escolhida para o gato dele, e não aplicada por padrão, a adesão tende a ser maior. A personalização torna a recomendação mais defensável, mais compreensível e mais alinhada à medicina veterinária contemporânea.
Um lançamento que traduz uma mudança de paradigma
A expansão da linha Purevax® marca um movimento relevante para a vacinação felina no Brasil. O lançamento das vacinas Purevax® RCP e Purevax® RCPCh amplia o portfólio da Boehringer Ingelheim, mas seu principal significado está na defesa de uma prevenção mais inteligente, ajustada ao paciente e sustentada pela avaliação clínica.
O evento deixou claro que o futuro da vacinação felina não está em protocolos automáticos, mas em decisões individualizadas. A vacina mais adequada é aquela que considera idade, ambiente, exposição, convivência com outros gatos, histórico sanitário, risco infeccioso e capacidade de acompanhamento. Em uma espécie marcada por particularidades comportamentais, sensibilidade ao manejo e grande diversidade de estilos de vida, essa mudança é mais do que desejável: é necessária.
Com a ampliação da Purevax®, a Boehringer Ingelheim reforça seu posicionamento no segmento felino e oferece ao médico-veterinário um conjunto mais flexível de ferramentas para transformar prevenção em prática clínica de precisão.
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