Por Digivets

Janeiro 27, 2026

Quais fatores influenciam no pH urinário dos pets?

O pH urinário é um importante indicador da saúde do trato urinário de cães e gatos, estando diretamente relacionado ao equilíbrio ácido-base do organismo, à função renal e à prevenção de distúrbios urinários. Alterações nesse parâmetro podem influenciar a solubilidade de sais minerais na urina, favorecendo ou inibindo a formação de cristais, cálculos urinários e infecções do trato urinário, com impacto significativo no bem-estar e na qualidade de vida dos animais.

Diversos fatores fisiológicos, nutricionais, infecciosos e genéticos interferem no pH urinário dos pets. A alimentação exerce papel central nesse processo, uma vez que dietas ricas em proteínas de origem animal tendem a acidificar a urina, enquanto dietas com maior proporção de ingredientes vegetais podem promover alcalinização. Além disso, infecções bacterianas, especialmente aquelas causadas por microrganismos produtores de urease, alteram o ambiente urinário, aumentando o pH e favorecendo a formação de cálculos, principalmente de estruvita. Aspectos como idade, sexo e predisposição racial também influenciam diretamente esse equilíbrio.

Neste artigo são discutidos os principais fatores que modulam o pH urinário em cães e gatos, incluindo a influência da dieta, das infecções do trato urinário e das predisposições genéticas, bem como a relação dessas variáveis com a formação de diferentes tipos de cálculos urinários. Também são abordadas estratégias de manejo nutricional e clínico voltadas à prevenção e ao controle das doenças do trato urinário inferior.

Este artigo foi produzido pela parceria entre a Quatree e o portal DigiVets, trazendo informação técnica e atualizada a médicos-veterinários, tutores e profissionais do setor pet, e promovendo o conhecimento baseado em evidências científicas sobre nutrição, saúde urinária e bem-estar animal.

Para ler o arquivo na íntegra acesse: Quais fatores influenciam no pH urinário dos pets?

Influência da alimentação no pH urinário

A alimentação é um dos principais fatores responsáveis pela modulação do pH urinário em cães e gatos, exercendo papel central no equilíbrio ácido-base do organismo. Em cães, o pH urinário fisiológico varia entre 5,0 e 7,5, enquanto em gatos adultos saudáveis situa-se, em média, entre 6,0 e 6,4. Dietas ricas em proteínas de origem animal, especialmente carnes e fontes de fosfatos de sódio e cálcio, tendem a acidificar a urina, ao passo que dietas com maior proporção de ingredientes vegetais, cereais ou bicarbonato de cálcio solúvel estão associadas à alcalinização urinária.

Historicamente, as dietas secas e o alto teor de minerais como cálcio, magnésio e fósforo foram considerados os principais responsáveis pela formação de cálculos urinários. Entretanto, evidências atuais demonstram que a manutenção de um pH urinário adequado, especialmente mais ácido, é um fator mais determinante na prevenção da precipitação de cristais e do desenvolvimento de urolitíases do que o controle isolado da ingestão desses minerais. Assim, embora o teor mineral da dieta influencie o risco de formação de cálculos, o manejo nutricional voltado ao controle do pH urinário assume maior relevância na saúde urinária dos pets.

Formação de cálculos urinários

As alterações no pH urinário estão diretamente relacionadas à formação de cálculos urinários em cães e gatos. Um pH urinário elevado reduz a solubilidade do fosfato de amônio e magnésio, favorecendo a precipitação desses sais e a formação de cristais de estruvita. Por outro lado, um ambiente urinário persistentemente ácido está associado à formação de cristais de oxalato de cálcio, sendo que a maioria dos casos diagnosticados apresenta valores de pH inferiores a 6,5.

Embora a urolitíase seja um processo de origem multifatorial, o pH urinário exerce papel central na determinação do tipo de cristal formado. Assim, a manutenção de um pH urinário adequado constitui uma das principais estratégias tanto na prevenção quanto no tratamento dos cálculos urinários, contribuindo para a redução da supersaturação urinária e para a diminuição do risco de recorrência dessas afecções.

Infecções do trato urinário e pH urinário

As infecções bacterianas do trato urinário exercem influência direta sobre o pH urinário, especialmente quando causadas por bactérias produtoras de urease. Esses microrganismos degradam a ureia, liberando amônia e promovendo a alcalinização da urina, o que favorece a precipitação de sais minerais e a formação de cálculos de estruvita. Em cães, esse tipo de urólito está frequentemente associado à presença de infecções urinárias, enquanto em gatos a formação de estruvita pode ocorrer mesmo na ausência de infecção bacteriana.

Além da alteração do pH, as infecções modificam a composição da urina, elevando a concentração de amônia e outros subprodutos metabólicos, criando um ambiente favorável à persistência bacteriana e à recorrência de cálculos. Dessa forma, o tratamento eficaz das infecções urinárias deve incluir não apenas a eliminação do agente infeccioso, mas também a restauração do equilíbrio urinário, com atenção especial à normalização do pH, a fim de reduzir o risco de recidivas e promover a saúde urinária a longo prazo.

Genética e predisposição racial

A formação de urólitos em cães e gatos também está relacionada a fatores genéticos, com influência direta da raça, sexo e idade dos animais. Em cães, os cálculos de estruvita são mais comuns em fêmeas, especialmente em cadelas sem raça definida e em raças pequenas como Shih Tzu, Bichon Frisé, Schnauzer Miniatura, Lhasa Apso e Yorkshire Terrier, possivelmente devido à maior predisposição às infecções do trato urinário. Já os urólitos de oxalato de cálcio ocorrem com maior frequência em machos, frequentemente associados a um pH urinário mais ácido, enquanto os urólitos de urato apresentam alta prevalência em Dálmatas, em função de um defeito genético no metabolismo do ácido úrico.

Nos felinos, a incidência de urolitíase é semelhante entre machos e fêmeas, embora os machos sejam mais propensos à obstrução uretral. Gatos adultos, especialmente entre sete e nove anos, apresentam maior risco para cálculos de oxalato de cálcio, enquanto animais mais jovens tendem a formar cálculos de estruvita. Além disso, gatos domiciliados apresentam maior predisposição à urolitíase e elevada taxa de recorrência. O reconhecimento dessas predisposições genéticas e raciais é essencial para o diagnóstico precoce e para a adoção de estratégias preventivas individualizadas, incluindo manejo nutricional adequado, monitoramento do pH urinário e acompanhamento clínico contínuo.

Conclusão

O pH urinário exerce papel fundamental na saúde do trato urinário de cães e gatos, sendo influenciado principalmente pela alimentação, pela presença de infecções bacterianas e por fatores genéticos. Dietas ricas em proteínas de origem animal tendem a acidificar a urina, enquanto dietas vegetais promovem alcalinização, e infecções por bactérias produtoras de urease elevam o pH, favorecendo a formação de cálculos, especialmente de estruvita.

A interação entre pH urinário, composição da dieta e predisposição racial determina o risco de desenvolvimento de diferentes tipos de urólitos, como estruvita, oxalato de cálcio e urato, tornando o controle do pH, o manejo nutricional adequado e o monitoramento contínuo estratégias essenciais para a prevenção, o tratamento e a redução da recorrência das doenças urinárias em pets.

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