Saúde mental dos veterinários afeta 84% dos profissionais
A saúde mental dos veterinários é deficitária em 84% dos profissionais da área, que revelaram conviver com casos de ansiedade, depressão e irritação. Esse é o resultado de uma pesquisa inédita que mapeou a...
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A saúde mental dos veterinários é deficitária em 84% dos profissionais da área, que revelaram conviver com casos de ansiedade, depressão e irritação. Esse é o resultado de uma pesquisa inédita que mapeou a profissão com maior índice de suicídios no Brasil.
O estudo foi conduzido pela Kynetec, consultoria especializada em pesquisas de mercado sobre o tema, a pedido da farmacêutica MSD Saúde Animal. O levantamento consistiu em entrevistas com 1.993 veterinários de 25 a 65 anos de todas as regiões do país, por meio de um questionário online realizado entre 28 de junho e 26 de julho de 2022.
Para 93% dos veterinários, o nível de estresse é um dos principais desafios da profissão, sendo que 72% consideram essa questão um problema crítico. A sobrecarga é outro ponto delicado. Metade dos profissionais relatou que a carga horária é maior do que a desejada e 42% trabalham com frequência no período noturno ou em fins de semana e feriados.
Saúde mental dos veterinários: reconhecida, mas não tratada
A saúde mental dos veterinários é uma dificuldade reconhecida na teoria, mas a prática ainda é bem distante da ideal. Do total de entrevistados, 90% entendem a relevância de um tratamento, mas 68% não passam por sessões de psicoterapia. Já 40% admitem que demonstraram interesse, mas não conseguiram se consultar com um especialista nos últimos 12 meses.
Além disso, 77% dos veterinários afirmam que não contam com um programa de assistência aos funcionários e colaboradores na empresa onde atuam. Outro dado contundente aponta que 74% veem a eutanásia como um dos momentos mais difíceis da carreira.
“Os resultados evidenciam como é importante que não só as universidades, mas também os hospitais veterinários, clínicas e grandes empresas da área, olhem para a saúde mental dos veterinários e criem estratégias para lidar com essas questões. É uma responsabilidade dessas instituições também e temos que parar de colocar essa responsabilidade somente nos ombros dos indivíduos”, avalia a psicóloga Bianca Gresele, orientadora da pesquisa.
Suicídio entre veterinários é um risco alto
Mais um componente delicado põe em xeque a saúde mental dos veterinários. A taxa de risco de suicídio entre médicos veterinários é de 10,6 para 1 frente à população brasileira em geral, segundo indicadores do Sistema Único de Saúde e da Universidade Southampton School of Medicine.
Especialistas acreditam que o rápido crescimento do mercado pet e a inserção cada vez mais frequente desses animais entre as famílias brasileiras aumentou a responsabilidade dos profissionais. Consequentemente, aumentou também a incidência de casos de exaustão física e emocional.
Mas esse fenômeno não é exclusividade do Brasil. Um estudo da Inglaterra indicou que os médicos veterinários têm quatro vezes mais chances de tirar a própria vida do que a população geral e o dobro de chances entre outros profissionais da área de saúde.
“No Brasil, ainda há poucos estudos sobre o assunto envolvendo médicos veterinários e sugere-se que mudanças aparentes nos padrões de suicídio merecem ser mais bem exploradas. Seria necessário examinar, por exemplo, a prevalência de depressão e ideação suicida entre esses profissionais, devendo também ser considerados fatores psicossociais, características individuais e relativas à profissão”, avalia Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo.