Por Digivets

Março 23, 2026

Clínicas veterinárias enfrentam desafios no pós-morte de pets e impacto no luto do tutor

Falta de suporte para lidar com o luto pet e o pós-atendimento expõe lacuna no setor veterinário 

A evolução da medicina veterinária e a mudança na relação entre tutores e animais de estimação têm elevado o nível de exigência sobre os serviços prestados por clínicas. Nesse contexto, um ponto ainda pouco estruturado ganha relevância crescente: o manejo do pós-morte de pets e seus impactos, tanto na experiência do tutor quanto na experiência da equipe de saúde veterinária.

Embora o setor avance em diagnóstico e tratamento, a etapa final da jornada ainda representa um desafio. A comunicação de más notícias e o suporte ao luto pet seguem, muitas vezes, sem protocolos definidos, o que pode tornar esse momento burocrático e emocionalmente desgastante para tutores e equipes.

O luto antecipatório, comum em casos de doenças graves ou diagnósticos delicados, já faz parte da rotina clínica e exige preparo dos profissionais. “Esse processo começa antes da perda e envolve uma carga emocional significativa, que precisa ser reconhecida. Quando não há acolhimento adequado, o impacto pode ser ainda maior no momento da despedida”, explica Natália Nigro de Sá, psicóloga, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada ao estudo do luto e membro da Ekôa Vet (Associação Brasileira em Prol da Saúde Mental na Medicina Veterinária).

Além da complexidade emocional, há também questões operacionais. Muitas clínicas não dispõem de estrutura, equipe ou tempo para conduzir todas as etapas do pós-morte, o que pode comprometer a percepção do atendimento, mesmo quando o cuidado clínico foi adequado.

Diante desse cenário, cresce a busca por soluções que apoiem as clínicas na oferta de uma jornada mais completa ao tutor. Parcerias com serviços especializados em funeral pet e acolhimento ao luto têm se consolidado como alternativa para lidar com esse momento de forma estruturada.

A Laika Assistência e Funeral Pet atua nesse segmento com atendimento 24 horas, assumindo desde a remoção do animal até a cremação e a entrega das cinzas. A proposta é garantir suporte operacional e psicoemocional altamente especializado ao tutor, permitindo que a clínica mantenha o foco no atendimento médico.

Idealizadora e cofundadora da empresa, Natália destaca que o cuidado no pós-morte tende a se consolidar como parte essencial da jornada veterinária. “O luto pet não começa na perda e também não termina na despedida. Quando existe acolhimento adequado, a experiência do tutor se transforma e o impacto emocional pode ser melhor elaborado”, diz.

Além de apoiar o tutor, esse tipo de estrutura contribui para reduzir a sobrecarga emocional das equipes veterinárias, especialmente em situações de alta complexidade.

A tendência é que o cuidado com o pós-morte deixe de ser um diferencial e passe a integrar o padrão de atendimento no setor. Clínicas que adotam uma visão mais ampla da jornada tendem a se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e orientado à experiência.

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